Desde pequeno sou torcedor do São Paulo, nunca soube ao certo o motivo desta torcida, afinal meu pai nunca gostou muito de futebol, meu tio é são paulino, mas não é dos que mais me incentivada a torcer, já meu irmão ele é corintiano. Talvez eu tenha escolhido o São Paulo pela ótima fase que vivia nos anos 90, talvez tenha sido para confrontar meu irmão, ou talvez as 3 cores bateram mais forte no meu pequeno coração. 

A primeira vez que fui ao estádio foi em 98, eu tinha 7 anos, com minha mãe, que também não é muito fã de futebol, mas lembro do estádio cheio num jogo contra o Botafogo, era o primeiro jogo da final do Torneio Rio-São Paulo. Minha mãe sempre teve receio de jogo, ela não gosta que eu vá até hoje, e por isso saímos faltando pouco mais de 15 minutos pro fim do jogo, enquanto estava 2 a 1 pro São Paulo. Já íamos saindo quando se ouviu o grito de gol do Botafogo, era o empate, fomos embora e só depois vi que o jogo havia acabado 3 x 2 pro Botafogo.  

A segunda vez foi bem mais pra frente, desta vez com meu pai. Eu já tinha 13 anos e tava na minha fase mais viciado em jogo, quando não passava na TV eu tava ouvindo no rádio. Não perdia um jogo, e então pedi pro meu pai me levar, ele topou. Era um São Paulo x Goias, o jogo foi marcado pela despedida do Reinaldo, um atacante que eu gostava muito. Fomos ao jogo e meu pai não estava muito ligado no jogo, eu tentava olhar tudo, a torcida, o campo, era uma experiência muito legal. 

Passado estas vezes com 16 anos eu já comecei a ir sozinho, assisti a vários jogos, entre eles os jogos que levantamos a taça do Brasileiro de 2006 e 2007 e a final da Copa Sulamericana de 2012, mas nenhum chegou aos pés de tão especial como foi o São Paulo x Cruzeiro do ultimo domingo.  

Pela primeira vez eu estava indo ao estádio com meu filho, mesmo sabendo que ele poderia não entender nada o que aconteceria ali (e na verdade creio que não entendeu), mas aquilo tinha um significado especial pra mim. Era o momento de misturar as paixões: meu filho, minha maior paixão, e meu time, uma outra paixão.  

No caminho do estádio, vi que havia esquecido meu bilhete de ônibus, mas eu ainda tinha um dinheiro na carteira, então daria pra ir sem me atrasar. Chegamos nas proximidades do estádio já se via uma grande movimentação de pessoas e isso chamou a atenção do Lorenzo, que não parava de olhar pra todo aquele povo vestindo praticamente as mesmas cores. 

Geralmente eu assisto o jogo na arquibancada superior, porém como estava indo com o Lorenzo escolhi um setor mais tranquilo que é a arquibancada térrea, porém o que eu não sabia é que naquele setor criança não possuía gratuidade para crianças. Cheguei para passar meu cartão (que equivale ao ingresso) e a hostess pediu o ingresso da criança, questionei ela sobre a gratuidade e ela disse que não. Os ingressos haviam se esgotados, ou seja, eu não poderia entrar. A Hostess então chamou a superior dela que abriu uma exceção para nós e enfim conseguimos entrar.  

A torcida cantava e batia palma e o Lorenzo admirando toda aquela movimentação acompanhava batendo palma, os times entraram em campo e começaram a bater bola e ele apontava para o campo me mostrando. O jogo começou e a torcida continuava cantando e ele olhando tudo ao redor. Lorenzo então pediu para ficar no chão e intercalava entre brincar com a cadeira e pedir colo para ver o jogo. 

E foi então que aconteceu um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Era 45 minutos do primeiro tempo, o jogo permanecia 0 a 0 e o grito de gol estava preso na garganta. Era falta pro São Paulo, Hernanes estava na bola, Lorenzo estava no meu colo, os segundos pareciam mais lentos, o apito do juiz autorizando a cobrança parecia durar minutos, a corrida do Hernanes até a bola foram horas e o trajeto dela até morrer no fundo da rede foram semanas, mas enfim a bola estava lá e o grito de gol ecoou no estádio do Morumbi, abracei o Lorenzo e ele me abraçou. Ele parecia sentir que aquilo era o ponto máximo do jogo. Não contive minhas lagrimas, afinal era meu primeiro (espero que de muitos) gol que eu comemoraria com meu filho no estádio. Lorenzo seguia batendo palmas e intercalando entre o colo e brincar na cadeira. Se o jogo acabasse no primeiro tempo estaria ótimo, mas o futebol, como dizem, é uma caixinha de surpresa. 

O segundo tempo do jogo começou e nos primeiros minutos de jogo tomamos a virada, o jogo que o resultado estava ótimo virou um pesadelo. A torcida seguia apoiando, Lorenzo intercalando suas vontades e nada de um outro gol acontecer, até que enquanto o Lorenzo brincava na cadeira, era escanteio pro São Paulo, Hernanes cobrou e Arboleda marcou, novamente o grito de gol ecoava no estádio do Morumbi, diferentemente do outro gol quando ele estava prestando atenção, Lorenzo se assustou, nisso peguei ele rapidamente no colo e ele voltou a bater palma e comemorar, se espelhando nas pessoas ao redor.

A torcida parecia inflamar ainda mais, e parecia que o gol ia sair pois o cenário pedia isso, o meu dia pedia isso. E então Gilberto cai na área e pênalti pro São Paulo. Era a hora. Lorenzo estava no meu colo e olhando pro campo, desta vez a cobrança não pareceu tão demorada, mas também não foi tão rápida. Se por um lado eu tava eufórico confiante que a virada estava acontecendo por outro estava apreensivo pois naquele mesmo lado do campo o adversário havia perdido um pênalti. Hernanes na bola e estava lá, era a virada, era mais um gol comemorando abraçado com meu filho.

Lorenzo continuava olhando toda aqueles gritos, cores e movimentos, via a torcida batendo palma, batia palma junto. A emoção com certeza é toda por minha parte, mas talvez ele também se emocione passando pelo que eu passei ou talvez lendo o que eu escrevi ou ouvindo essa história, não posso cobrar e nem esperar isso, afinal sentimentos são unicos e momentos como este não é todo dia que acontece. O que eu posso fazer é apenas agradecer e torcer. Agradecer por ter um filho maravilhoso, agradecer por ter momentos maravilhosos com ele e torcer para que tenhamos mais momentos como este, a cada dia numa sintonia melhor.

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comentários (2)

  • Espero que um dia Lorenzo possa ler este e outros textos seus. Parabéns, amigo.

    Rafa Ferreira 16/08/2017 @ 18h
  • Tenho certeza que o Lorenzo irá ler isso um dia e será mais um motivo pra se orgulhar do pai que tem, Parabéns Acer

    Gabriel Cantagesso Pedretti 16/08/2017 @ 18h