Talvez este seja um dos temas mais difíceis de se abordar atualmente, principalmente em São Paulo devido as pessoas estarem muito polarizadas com seus ideais políticos. Se você é a favor das bicicletas você é Esquerda-Petralha-Mortadela, se você é a favor dos carros você é Direita-Reaça-Coxinha, e até se você ficar em cima do muro você é taxado como Isentão. Mas essa questão é realmente politica?


Não necessariamente. Você pode ter seus ideais de direita e apoiar a bicicleta e vice-versa, essa não é uma questão politica, mas sua aplicação depende muito de quem governa e suas prioridades.


Desde o Governo JK o transporte terrestre foi o principal alvo de investimento no país, esquecendo os demais modais como marítimo e o ferroviário. Isso foi patrocinado pelas montadoras de carros, pois pra se vender carro é preciso ter onde andar correto? Durante a ditadura militar também houve uma grande expansão das rodovias ao longo do país. Infelizmente pagamos o preço dessa decisão até hoje. Temos uma malha ferroviária minima, que é um modal que causa menos dano ao meio ambiente.


Com essa grande expansão das ruas e rodovias, o carro foi se expandindo e virou além de meio de transporte, simbolo de status social, você trabalha, trabalha pra poder comprar um carro e ir trabalhar de carro. Mas numa proporção maior que as ruas foram crescendo, a produção de veículos também, facilitadas pela entrada de marcas no nosso mercado, trazendo até as fabricas para cá, tudo isso com ajudas do governo e isenção fiscal (lembra do que falei que o governo tem relação). Que fique claro que eu não acho errado ter industrias aqui e muito menos as isenções fiscais, elas são necessárias para o desenvolvimento de certas localidades em especial, assim no país num contexto geral.


Dito sobre a influência politica, vamos analisar o caso de São Paulo, nas eleições de 2012, o então candidato Fernando Haddad(PT-SP) se comprometeu em fazer 400km de Ciclovias ao longo da cidade, promessa que foi cumprida ao longo do seu mandato. Em contra-partida, o atual Prefeito João Dória (PSDB-SP) disse recentemente que vai mudar as ciclocias e adotar rota sem divisão entre bikes e carros , aí entramos numa outra questão: A importância das ciclovias.


As ciclovias trazem uma segurança maior ao ciclista, pois assim ele não precisa competir em lugar com carros, caminhões e ônibus. Em SP muitas foram construídas mal planejadas, mas ainda assim, uma ciclovia mal construída traz mais segurança para um ciclista do que o fato de não ter uma. São Paulo é conhecida pelo seu transito louco, e situações que chegam a ser bizarras como o motorista que atropelou um ciclista e jogou o braço num córrego. O governo precisa investir mais nesse modal não só nas ligações entre as ciclovias, mas também na educação do transito, afinal como diz no Código de Transito Brasileiro: “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres. “


Muito foi se investido nos últimos 4 anos, desde as ciclovias, assim como em paraciclos, estacionamentos de bicicletas, aluguel de bicicletas e isso resultou numa cidade visivelmente com cada vez mais bicicletas. Bicicletas essas que querem ocupar o seu espaço, entramos então na questão original deste texto: Afinal, de quem é a rua?


A rua é de todos. Carros e bicicletas não são inimigos mortais, inclusive longe disso, é possível, estes dois meios de transportes dividirem as ruas, quem deve prover isso é o poder publico de uma forma segura pra todas. Mais do que nunca é necessário que o poder publico entenda essa nova demanda das cidades, independente que seja do partido X ou Y, a cidade cresceu, se expandiu e está a procura de novas alternativas para o trânsito. E essas alternativas a cada vez mais tem que ser sustentáveis, pensando no planeta como um todo.

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