Eu sempre acho que todo fim de semana será meu momento de catarse.

O momento no qual vou me despir de todas as minha inseguranças (não assumi-las - não as quero) e ser só eu.

Sem nenhum dos 100 escudos que me separam da vida - que mesmo assim insistem em me lembrar que estou sozinha.

Sim, sozinha.

Afinal, "todos me amam, mas ninguém está apaixonado por mim".

Como o resto do mundo convive com a rejeição?

Essa semana serviu para que eu percebesse que todo o meu esforço - ou seja, toda a ação que eu tomei, deliberadamente, para me fortalecer, foi em vão.

Mais do que isso.

Foi destrutivo.

Porque agora, além de não acreditar que tenho o potenciale ser amada, me sinto uma farsa.

Uma farsa que vai te desapontar, se você perder tempo reparando em mim o suficiente para criar algum tipo de expectativa.

Eu queria ser confiante

Eu queria ter esperança de que, algum dia, alguém vai me notar.

Mas antes disso eu queria ser humilde o suficiente para admitir que, por eu ser quem eu sou, talvez isso nunca aconteça. 

E é por isso que a catarse nunca vem.

É por isso que eu nunca vou conseguir acordar e me sentir completamente bem.

Eu sei, leva tempo.

É questão de treino, de paciência.

Só precisamos nos lembrar de que o treino narcisista não ajuda, arruína.

Afinal, eu me acho legal. Eu me acho bonita (na menor parte do tempo, mas ainda assim...). 

Eu me acho legal engraçada.

Eu me acho inteligente e esforçada.

Mas não consigo pensar em alguém que me notaria tempo o suficiente para chegar nessas mesmas conclusões.

E esse nem chega a ser o problema, em si. 

O problema é: tudo que penso de positivo sobre mim está na máscara. Está no escudo, no visível.

No fim eu sempre serei a segunda (ou última) opção. Aquela que atrai menos atenção. 

Pessoas mais bonitas (ou mais carismáticas) são as escolhidas. 

Eu queria ser a escolhida de vez em quando.

Afinal, eu estou sozinha.

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