Ao som daquela canção o meu coração saltava, pensamentos ecoavam e o meu corpo vibrava a cada melodia. As notas preenchiam todo o meu ser e por um instante a felicidade transbordava. A dor sucumbia-se a felicidade e o mundo por alguns instantes tornou-se belo. Hora essa, feliz é aquele que consegue ver como a vida é bela e que apesar dos contratempos há sempre uma surpresa a lhe esperar. Agora ao olhar a lua que está lá fora, algo pula dentro de mim. Esperança? Talvez. Pergunto-me como cheguei aqui, em qual esquina foi que me perdi, e que dessa perdição tão louca encontrei-me. Dessa perdição encontrei-te e tu já partiste tão cedo, preenchendo a casa deixando-a repleta de paz, dessa perdição ao encontrar-te acabei me encontrando, perdendo-me de novo e agora é um achar e procurar, pois essa é a graça, a graça de se reinventar a todo instante. Da perdição você foi minha salvação e agora deixaste somente a saudade. Talvez o grande sábio Guimarães Rosa tenha razão, Deus coloca as pessoas na nossa vida e depois as retira para aprendermos a real felicidade, acho que ainda não sei essa tal felicidade, talvez ainda não tenha a vasta experiência necessária para entendê-la. A verdade é que apesar de preferir a solidão ela também me dá medo. Ainda sou cheia de antíteses e paradoxos que não sou capaz de definir... Talvez nunca defina, talvez nem queira definir, para mim essa é a graça as não definições. É como se ser fosse escrever, não precisa ser entendido precisa ser sentido, não precisa de definições apenas precisa ser. De minhas maiores antíteses esta a liberdade, a todo o momento que quero apenas ser livre, apenas correr o vasto mundo e saborear de todas as suas aventuras, quero apenas pertencer, dar a mão. Pois nesta noite de paz e nostalgia, eu só queria um pertencer. De toda a insônia um amar, um vazio que só um pertencer completaria um ser com outro ser e assim um amar que é uma das maiores alegrias de viver, amar que é a maior insensatez cometida. Às vezes me sinto tão mais velha do que o necessário é como se tivesse um peso sobre minhas costas, peso da responsabilidade ou de um fardo que carregarei por toda minha vida. Seja por isso que tenho medo do envelhecer, de um dia ver que a vida foi e que dela nada usufrui. E dessa noite faço a promessa que da vida só tirarei o bem e que não envelhecerei mais e nem carregarei um fardo que a mim não me pertence. Só posso encerrar a noite e entregar-me aos meus pensamentos tão profundos, com a nostalgia de algo que não foi, com a sua partida tão rápida e que apesar de triste, pois não permaneceu como o desejado somente realizou o bem e com a sua partida fica o vazio. E mais uma vez estou a procurar o amar em si só puro, em si ingênuo, em si doce, em si um amar que é o meu ser, um amar de pertencer-se. Um perder-se de se encontrar. Um amar-te...

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