Pés descalços na areia branca e fina, apenas o barulho do mar, em uma noite iluminada pela lua e com uma brisa fresca. Caminho apenas observando esse conjunto perfeito do encontro do mar com a noite que nos consome, conforme vou andando o som das ondas se junta com um chorinho de fundo bem de leve, vou andando mais um pouco e esse chorinho dá lugar a um samba cuja letra diz: ”Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza”, meu caminho é guiado atrás dessa música. Deparo-me com uma das festas mais lindas que já vi: vejo um velhinho simpático cantando um dos seus sambas encantando a todos com o seu jeito terno de cantar, será João, outro que está no piano de óculos e chapéu com o sorriso mais encantador e quente e todos nessa festa cantam, dançam e bebem e eu simplesmente me entrego a essa noite que promete ser interminável. Em um canto está então o homem mais sedutor que já existiu, me aproximo, com a promessa de virar sua musa, de ele eternizar mais uma de suas paixões em um de seus sonetos, ele me chama pra dançar e em meu ouvido sussurra o mais belo poema, seu nome é Vinicius e sua arte é encantar com seus poemas harmonizados. Sou levada até aquele moço do piano que todos o chamam de Tom, e me entrego aquelas notas tão deliciosas de ser escutada, me entrego ao teu jeito de tocar que é tão simples como respirar e ao mesmo tempo tão rico, agora o velhinho toca um samba mais lento que por alguma razão faz meu olhos se encherem de lagrimas. Porém tudo se interrompe, a música para, as pessoas congelam e não existe mais nada quando eu encontro aquele belo par de olhos verdes me fitando, ele caminha até a mim e o mundo volta a girar, este é Chico e agora estou com ele nesta noite magicamente sem fim. Uma noite eternizada no poema, na voz, no instrumento, nos acordes de um piano. Uma noite que termina nos olhos de um eterno amor.

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