É difícil viver numa corda bamba sobre um abismo.

Essa sensação de estar se equilibrando precariamente com chance de cair a qualquer momento.

É foda essa necessidade de ter que criar forças pra levantar da cama todos os dias. Como maquiagem, precisar de um bom tempo todas as manhãs pra pintar a máscara que mostrará para as pessoas durante o dia, quase como uma proteção.

Como tinta guache que se lava com a água, aos poucos ela vai sumindo, mostrando a ferida exposta em carne viva.

É difícil viver numa corda bamba sobre o abismo.

Saber que o equilíbrio precário que você aprende a manter pode ser destruído com uma simples palavra, com um simples acontecimento.

Ter que forçar a cabeça a funcionar, tentar silenciar as vozes que gritam sobre sua insignificância, incompetência e fraqueza. Trincar os dentes e seguir em frente, deixando uma trilha de destruição no caminho.

É difícil não cair ao se equilibrar em uma corda fina em um abismo.

Quando ninguém está vendo e a escuridão cai sobre os seus olhos, deixando tudo num tom cinza. 

Quando a boca fica amarga.

Quando a dor cresce e você se sente sem controle.

Quando você sente a corda esticando e estourando.

Quando o espaço para os pés diminui.

É difícil se equilibrar no nada sobre o vazio.

Porque a queda é longa.

Porque você não sabe o que existe lá embaixo.

Porque você tem medo da escuridão e não sabe o que vai sobrar quando atingir o chão.

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