há 20 anos, todo dia sete de outubro é marcado, na minha vida, por alegria. 

cada ano é diferente, claro, e as coisas mudam conforme a idade chega, os amigos mudam, e os parentes se afastam um pouco, mas se tem algo que permanece é o calor dentro do coração ao receber, de algum amigo ou familiar, um abraço apertado, um beijo babado na bochecha, ou apenas algumas palavras de carinho. 

esse não foi o meu dia sete desse ano. 

nesse dia sete eu não tive coragem de levantar da cama. o dia estava feio, nublado, fazia frio e chovia. nesse dia sete eu senti uma solitude que jamais tinha experimentado, e que, sinceramente, eu espero que passe.

as palavras de carinho vieram, até mesmo alguns abraços sinceros de pessoas que possuem todo meu coração, mas ainda assim, eu me senti vazia. vazia de uma forma que eu nem sabia que era possível se sentir, como se eu pudesse desaparecer, explodir, ou apenas voar pra bem longe, sem grande importância na vida de ninguém. 

nesse dia sete, por alguns momentos, eu desejei que eu pudesse desaparecer. 

puff

simplesmente parar de existir. 

talvez, na verdade, eu possa. mas até que ponto devo? a solidão passa? a dor dura pra sempre? esse sentimento de não querer mais existir, um dia vai embora?

essa parece uma realidade tão distante pra mim, que eu nem sei. 

eu acho engraçado quando as pessoas falam da luz e alegria que eu transmito, porque eu sinceramente não sei como isso é possível. como posso transmitir algo que eu não tenho nem pra mim mesma? será que estou doando tanto de mim pros outros, que não resta um pedacinho de felicidade pra mim mesma?

como alguém consegue ficar feliz ao estar perto de mim se atualmente nem eu quero estar comigo? como sou uma boa companhia se não me sinto pertencente a lugar nenhum? como posso me sentir amada se eu não consigo me amar? 

essas questões frequentes na minha cabeça que eu gostaria conseguir parar de me perguntar. 

“você merece mais

você merece mais 

voce merece mais”

eu tento falar pra mim mesma

mas talvez eu não mereça. talvez me sentir assim seja a única coisa que eu vou ter pelo resto da minha vida. 

me sentir ruim em tudo,

me sentir deslocada, 

me sentir impotente, 

me sentir dispensável,

me sentir mal,

até o dia que eu não conseguir sentir mais nada. 

eu gostaria que esse fosse um texto feliz de aniversário, mas na verdade não é. eu tenho 20 anos de idade e eu não conquistei nada na vida, e talvez nunca vá, porque talvez (e isso é um questionamento) existam pessoas que, por mais que a receita tenha sido seguida, simplesmente não dão certo.

vai ver eu sou assim,

não fui feita pra dar certo nessa cidade, nesse país, ou nessa vida. 

isso não é um texto feliz de aniversário. é só um desabafo. são só todos os sentimentos que por muito tempo quiseram ser gritados. 

sou só eu, na minha mais pura e bela tristeza. 

Tags

comentários (0)

Sem comentários