o dia que você se foi era um dia feio e por isso eu o odeio.


você também odiaria se estivesse aqui pra ver. era frio e chuvoso, do jeito que te deixava com um jeito deprimido pela manhã. assim como me deixava. a gente sempre odiou dias nublados, isso era uma coisa nossa.


o dia que você se foi não teve um raio de sol. não teve claridade. não teve pássaros cantando. tudo que teve foi silêncio 


e caos. dentro e fora de mim. como se o dia refletisse meu estado de espírito com a sua partida. 


o dia que você se foi era uma segunda feira e isso diz muita coisa. você percebia meu mau humor e minha falta de vontade nas segundas, mesmo sem saber. era o dia que eu geralmente não te falava um bom dia, como costumava fazer todas as manhãs. a culpa não era sua, eu sei, eu podia ter feito melhor. 


o dia que você se foi ficou registrado na minha pele como uma tatuagem, que ao invés de me dar coragem, me deu coceira e queloide. 


o dia que você se foi, foi um dia ruim. e não poderia ter sido diferente, porque até se fosse um dia bom: aqueles com sol, pássaros, sem chuva e com a temperatura de 24ºC, ainda assim teria sido o dia que você partiu, e isso o transformaria automaticamente em um dia ruim.


você se foi, mas o dia que você se foi não. e nunca irá. na parede da memória, ele vai continuar sendo o quadro que dói mais. 


é,

você se foi,

mas a saudade fica

agarrada em mim 

como um poeta se agarra à palavra,

como um músico se agarra à letra,

como eu me agarrava à você. 

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