Era uma vez um garoto. 

Ele fora estuprado quando mais novo e sempre se culpou por isso. Como se não bastasse passar pelo que já passou, quando esse garoto achou que encontrou amigos para vida toda, todos esses amigos abusaram sexualmente dele. T-o-d-o-s. Um por um.  Ameaçaram-no... ai dele se contasse pra alguém, todo o colégio saberia o que teria acontecido: "O gayzinho que quis chupar todos os moleques da rua"... E a culpa aparece novamente em sua vida.

Os danos causados em sua mente são irreparáveis. Desde então, quando faz um balanço de toda sua vida percebe que graças a isso, os momentos tristes são muito mais numerosos e muito mais intensos que os felizes.

Ele não gosta que o toque, não gosta que o olhem, ele não consegue mais se relacionar sexualmente com ninguém desde então. Toda vez que tenta, pimba... uma crise de pânico vem para lembra-lo de tudo pelo que passou, junto com ela vem a culpa (que na verdade não pertence a ele, porém nesses momentos é difícil para ele lembrar-se disso...).

Era uma vez um garoto. Ele morreu. Tiraram-no a vida assim que colocaram a mão em sua perna sem ele querer e o forçaram a fazer coisas que nem em filmes de terror são relatadas. Tiraram-no a vontade de viver e deixaram um corpo perambulando por aí.

Esse garoto sou eu, mas pode muito bem ser qualquer pessoa do seu lado.




Tags

comentários (0)

Sem comentários