"Oi amô, você publicou sobre histórias de empatia e de alguma forma uma coisa que aconteceu com um amigo meu me fez abrir muito os olhos em como a gente pode mudar a vida das pessoas sem ao menos perceber, com pequenas ações.

Tenho um amigo que foi adotado logo quando nasceu e a família adotiva dele é ótima mas ele sempre carregou com ele aquela dor de ter sido abandonado. Eu jamais vou poder entender por completo, mas sempre fiz meu melhor pra tentar imaginar a dor dele.

Essa dor toda fez desencadear uma série de problemas psicológicos nele, como, por exemplo, a necessidade de estar sempre com alguém. Ele simplesmente não conseguia ficar solteiro e se apegava demais a qualquer garota que desse uma atenção a mais pra ele. E sempre dava merda. E eu sempre ajudava (ou tentava ajudar) ele à recolher os cacos depois.

Até que uma vez ele ficou totalmente quebrado e a depressão que ele tem, piorou. Eu tava em casa uma noite e ele mandou uma mensagem meio subliminar de que iria se matar e eu percebi o que aquilo significava e ligava pra ele mas ele tinha desligado o telefone. Saí correndo no meio da rua que eu nem conseguia respirar até o prédio dele que não é tão longe assim de casa. Eu corria muito com o telefone no rosto ligando pra casa dele até que finalmente os pais atenderam e conseguiram impedir que ele fizesse algo a mais. Ele ia se jogar. Aquela foi uma das piores noites da minha vida. Eu fiquei bem naquele dia, fiquei firme. Mas chegou na segunda feira na aula e aquilo caiu em mim que eu passei mal e não conseguia ficar na aula.

Enfim, isso aconteceu em 2014. Eu sempre me mantive por perto me certificando que ele estava bem e que as recaídas não acontecessem de novo mas no fim do ano passado ele foi se afastando e não importa o quanto eu e duas amigas tentássemos nos aproximar ele não queria de jeito nenhum. A gente perguntava o porque daquilo e ele disse que tava bem, mas queria se afastar. Tipo doeu pra caralho porque eu tava sempre junto dele e do nada isso, mas eu respeitei. Só avisei os pais dele o que estava acontecendo pra eles ficarem ainda mais de olho. Aí faz um mês mais ou menos que ele me mandou mensagem contando que se afastou, dizendo que estava com problemas com drogas mas o que me surpreendeu foi que ele resolveu sair desa, porque lembrou da noite que tentou se matar e agora tava trabalhando como voluntário em uma ONG que ajuda pessoas com depressão.

Ele literalmente disse que eu corri por ele aquela noite e agora era a vez dele correr por alguém. Cê imagina o quanto eu chorei né. Num foi pouco não. Nosso contato não tá como era antes, mas nos falamos mais e espero ir recuperando aos poucos. Só sei que tipo isso me faz pensar o quanto nossas ações podem ser maiores do que achamos que vai ser. Naquela noite eu corri real de tanto medo e desespero que me deu e acabou que realmente ajudou ele de alguma forma e agora espero que esteja ajudando outras pessoas. Mas pra correr pelas pessoas precisamos ter empatias por elas antes, né. Tô treinando isso ainda, mas com sorte vou evoluindo.

Obrigada por ouvir e muita paz pra gente."

Muitas vezes nossas ações ressonam em períodos seguintes, jamais sabemos o real impacto que temos nas vidas das pessoas, então, sempre deixe seu melhor! Vai saber quantas vidas você já salvou e nem sabe?!


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