Recentemente voltei minha atenção para tirar BoJack Horseman da geladeira das minhas séries. O cavalo parcialmente humano e completamente "danificado" é um sucesso estrondoso não só pelas piadas ou pela história. E sim pela mensagem.

Todo tipo de obra se conecta com as pessoas de uma maneira diferente. Não é segredo pra ninguém a maneira que eu levo a minha vida, ou a opinião que tenho de mim mesmo. E, no meu caso particular, BoJack se conectou comigo duma maneira muito pessoal.. daquelas que você se enxerga no personagem e se imagina reproduzindo cada palavra dele.

No livro que Diane publicou sobre BJ, a imagem retratada vai além dum cara patético, com claros problemas com álcool, drogas, relacionamentos pessoais e profissionais e auto-estima: é a essência de um solitário.

Todas as máscaras, facetas e críticas de BoJack servem para esconder suas rachaduras internas, os defeitos que afastam. Porém, esses mesmos truques acabam por evidenciar o quão triste ele é, por sentir que vive uma vida onde tudo que ele faz é pra se enganar e se desviar da dor.

E é com esse tipo de coisa que eu me conectei.

Mas, acredite: esse texto é pra dizer o quão bom foi isso. E não é pra entrar no clichê de "isso serviu pra mostrar que eu preciso mudar e encarar o mundo duma maneira positiva e feliz". Eu não preciso fazer isso... e nem quero, na real. Viver enaltecendo a felicidade em tudo, pra mim, é mascarar o que a vida é de verdade: uma briga de foices no escuro, onde você só precisa torcer pra sair com todas as partes do corpo.

Não é errado sentir que é vazio por dentro, sabe. Na verdade, é até... interessante. Gera pontos de vista excelentes numa conversa num boteco sujo no centro, alternando entre uma cerveja barata e uma dose de cachaça que você bebe retorcendo a cara.

BoJack me mostra, a cada episódio, que por mais solitário e triste eu possa me sentir, isso não é de todo ruim. Uma alma vazia se transforma em diversas reflexões sem sentido, que enganam seu autor, fazendo-o pensar que está passando uma mensagem construtiva, mas na verdade está apenas juntando palavras que vem em sua cabeça na hora. Tipo esse texto aqui... bom, retomando.

Não é ruim ser vazio e triste. Ruim é se deixar levar por isso. Ruim é achar que você precisa mudar.

Ninguém precisa mudar, não. Ninguém precisa se forçar a ser feliz, não. Isso não a ajudar a preencher aquele buraco lá dentro, que faz você soluçar de leve no banho ou aperta seu peito quando você vê uma cena triste.

O que ajuda, de verdade, é se aceitar. Tentar ser feliz porque "disseram que eu preciso ser mais feliz" é se enganar. E, vai por mim, ninguém é feliz se enganando. Eu mesmo, sou vazio por dentro (e com as estruturas rachadas), mas mesmo assim, pareço satisfeito todos os dias.

Igual ao BoJack.

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comentários (2)

  • Eu me identifico com o Bojack por motivos diferentes. Me vejo na insegurança por trás da segurança, na mesquinhez e na sequência de buscas por propósito. Mas sem tantas tintas fortes. Sobre seu modo de ver a vida, eu acho justo. E não poderia ser diferente, ninguém tem propriedade para julgar. Apenas não se autosabote, amigo. E pra fechar no clichê: eu torço muito pela sua felicidade! hahahaha

    Rafa Ferreira 22/09/2017 @ 20h
  • Acredito que, a partir do momento que a gente entende e aceita o que é e o que faz, não tem autosabotagem, Rafa. Mas obrigado pelos votos de felicidade, são recíprocos, amigo! hahaha

    Eduardo Coutinho 25/09/2017 @ 03h