Para quem não sabe do que se trata, uma versão rápida para situar este texto:

Groundhog Day (Feitiço do Tempo) é um filme de 1993. Nele, Bill Murray revive o mesmo dia diversas vezes e, depois de se deixar levar por todas as formas de perseguições hedonísticas, ele começa a reavaliar sua vida e prioridades.

Eis o ponto que quero chegar: eu sinto como se, mentalmente, eu vivesse o mesmo dia repetidamente. Os mesmos acontecimentos, as mesmas conversas, o mesmo outcome. Isso vem me impedindo de viver uma vida plenamente satisfatória, visto que eu não consigo mais ver o valor que via num dia ensolarado, numa festa com os amigos, ou mesmo num dia comum de trabalho. Tudo virou uma noite fria, sentado num degrau de cimento.

Nesse ponto, começamos a pensar “o que deu errado?” e, em seguida, emendar o “o que eu poderia ter feito de diferente?”, não é verdade? Pois é. Aquele velho papo de ter uma máquina do tempo, voltar no passado e corrigir o que rolou. Fico remoendo esse pensamento dia e noite, confesso.

Cada frase parece ter sido marcada com um ferrete na minha cabeça, e a marca segue ardendo, mesmo depois de tanto tempo. Receio ter desperdiçado muita coisa que eu queria falar de verdade num momento de puro medo e desespero. Fui mais um.

A gente tenta de tudo pra mostrar nosso valor, mas quem de fato sabe o quanto valemos somos nós mesmos.

A impressão que deixamos? É só uma impressão.

O resto? É resto.

Hoje estou vivendo pela enésima vez o meu Dia da Marmota particular. Revivendo cada frase como se fosse a primeira vez, sofrendo com cada pancada como se fosse a primeira vez. Cada frase é uma gota a mais caindo num copo com uma etiqueta escrito “dor & sofrimento” colada. O dia sempre acaba igual.

“Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”.

Sempre acreditei ser diferente. Ainda assim, os resultados são sempre os mesmos.

Seria isto insanidade?

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