Bom, não sei por onde começar, então vou fazer do jeito clichê. 

Meu nome é Ozymandias. Sim, eu sei, que tipo de fudido tem esse nome né? Nem precisa perder seu tempo pensando em alguma piada, posso garantir que já ouvi todas possíveis na minha vida. Meu pai tirou esse nome de um poema inglês que com certeza você nunca ouviu. Talvez conheça um personagem de quadrinhos com esse nome. Caso queira saber, Ozymandias é o nome grego de Ramsés II. Mas é claro que você não quer saber né?

Bom, continuando a falar sobre mim não sei porque, sou filho de um militar com uma bailarina. Pois é, não faz sentido nenhum. Eles me contavam quando criança que foi amor a primeira vista numa apresentação no teatro municipal no Rio, mas desconfio que foi só um romance de noitada que acabou gerando uma criança (sim, eu no caso).

Não tenho uma história muito especial, nasci no Rio de Janeiro e mudei para Campinas quando era criança. Sim, aquele papo de que o "ar do interior" faria bem pras crianças. Ah é, esqueci de mencionar que tenho um irmão, Ricardo. Ele ganhou esse nome por causa de Ricardo Coração de Leão. Porra pai, custava ter homenageado alguém importante com um nome mais comum?

Bom, voltando ao foco da conversa, assim como muitas outras crianças, não tive uma criação que valha ressaltar muita coisa. Meu pai sempre me impeliu a praticar esportes competitivos enquanto minha mãe sempre bateu na tecla de que cultura era tão importante quanto forma física. Acabei dividindo minha infância entre treinos e livros e de certa forma até sou grato por isso.

Fui tido como o garoto prodígio por muito tempo. Notas sempre altas, sempre engajado em tudo, intercâmbio, fluente em mais de 2 línguas, dançava relativamente bem para o meu físico de boneco de Olinda (obrigado pela insistência com as aulas de dança mãe), E como tantos outros jovens excepcionais, tive uma vida extremamente mediana.

Meu sonho sempre foi cursar gastronomia, mas com um pai militar que achava que cozinha era lugar de viado, acabei me resignando em fazer outro curso. Escolhi prestar jornalismo no vestibular jogando dados e acabei passando em uma boa faculdade.

Apesar de ter entrado com uma ótima nota, esse foi o maior mérito da minha graduação (a menos que você considere ter tomado um barril de chopp de 5l em 45 segundos num intercursos um mérito). Nunca tive boas notas, participei do time de vôlei da minha faculdade por 5 anos sem nunca ter conseguido ser titular (sem nunca ter chegado a ser importante pro time na verdade), tive algumas namoradas, usei entorpecentes, fui para shows e torneios, me formei com um TCC feito nas coxas e o mais próximo que eu cheguei do meu sonho foi esporadicamente fazer críticas gastronômicas para o jornal no qual trabalho em São Paulo onde era colunista.

Conheci uma mulher no trabalho, achei que me apaixonei, namorei sério, casei, tive uma filha, percebi que meu relacionamento era comodismo, tentei recuperar o que eu sentia, percebi que nunca tinha sentido lá grande coisa, me divorciei, tive que ouvir dos parentes que eu não sabia segurar mulher, ri das piadinhas, segui minha vida.

Ouvi da minha filha que eu precisava sair do tédio e da monotonia. Num lapso de coragem e entusiasmo disse pro meu chefe que queria trocar minha cadeira e minhas críticas gastronômicas esporádicas pelas ruas, ser parte das notícias, ser um jornalista de verdade! Me arrependi no momento em que ele concordou dizendo que era disso que eu precisava.

Bom, essa é minha vida até aqui. 36 anos nas costas vividos na pura inércia. Uma filha de 10 anos, um cachorro que destrói minhas revistas, uma chinchila e um gato que eventualmente invade meu apartamento morando juntos no caos urbano da terra da garoa. Caso você tenha lido até aqui, essas são minhas desventuras enquanto eu saio pra rua com uma câmera, um gravador, um pacote de bolacha e um sonho. (não sei porque disse essa ultima parte, achei que ficaria legal)(não ficou).

"Ozymandias é o 'boneco de vodoo' de uma mente cansada e um tanto quanto perturbada. Usei ele como pseudônimo para escrever muita coisa que eu imaginava e que acabava elucubrando sobre como seria passar por algumas situações e vou começar a lançar aqui. Qualquer semelhança com a vida real talvez não seja mera coincidência"

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