Eu queria poder assistir um filme da minha vida as vezes pra poder verem qual momento da minha vida eu perdi 100%da minha capacidade de interação com o sexo feminino.

    A volta pra casa consistiu basicamente em eu levemente embriagado tentando não estragar tudo enquanto a Ana ria jurando que não era de mim. Chegamos no meu prédio e quando entramos no elevador ela apoiou a cabeça no meu ombro como quem quer se aproximar e eu simplesmente entrei em pânico e tentei falar sobre qualquer coisa, mas desisti depois de começar a gaguejar. Ana olhou pra mim, deu um risinho e desencostou quando o elevador chegou no meu andar. Eu sou definitivamente uma vergonha.

    Abri a porta e fiz um gesto com o braço para que ela entrasse, entrei logo em seguida acendi a luz. Enquanto eu trancava a porta, Ana foi direto na direção da minha prateleira e começou a passar a mão pela lateral dos livros. "É uma coleção e tanto que você tem aqui. Foucault, Durkheim, Nietzsche...", ela então deu uma risada, tirou um livro do meio da prateleira e se virou pra mim dizendo "Tem até Crepúsculo". "Essa não..." pensei, a jô provavelmente largou esse livro na sala e a diarista deve ter colocado no meio dos meus. Ótima hora pra isso acontecer. Dei um sorriso sem jeito dizendo que era da minha filha e a Ana se acabou de rir, "Você não tem cara mesmo de quem curte romance adolescente de vampiros". Nós dois rimos e eu disse para ela sentar enquanto ia buscar o vinho e duas taças.

    Enquanto passava uma água nas taças que não eram usadas há miseravelmente 1 ano, ouço Ana comentando da sala "Vocês tem um belo apartamento, é bem aconchegante". Agradeci e perguntei se ela preferia vinho branco ou tinto, ela respondeu que nunca tinha tomado vinho branco e que era uma boa hora para experimentar, então peguei o vinho, o saca-rolhas e as taças e voltei pra sala.

    Ana tinha se esticado no sofá e olhava para os quadros das paredes quando eu cheguei. A simples visão dela fez meu coração acelerar e meu rosto corar, mas pelo menos dessa vez eu tinha a desculpa do vinho. Me sentei ao lado dela e entreguei as taças para que eu pudesse abrir o vinho,ela pegou as taças e perguntou há quanto tempo nós morávamos naquele apartamento. "Bom, acho que quase 3 anos, desde que...", parei de girar o saca-rolhas e encarei o chão por um momento. "... desde que eu e a mãe da Jô nos divorciamos". Ana percebeu a cara que eu estava fazendo e se desculpou desesperada, disse que tava tudo bem e consegui abrir a garrafa de vinho servi nós dois.

    Eu sinceramente não sei quanto tempo passamos conversando naquele sofá naquela noite, mas tomamos 2 garrafas de vinho, então eu estimo que tenha sido bastante. Eu fiquei tão imerso no que Ana me falava que perdi totalmente a noção de tempo e nada que me ocorria ali seria melhor do que estar levemente bêbado ouvindo aquela mulher fantástica falar comigo. Em certo momento, ela parou de falar e percebeu a cara de cachorro babão que eu provavelmente estava fazendo, franziu o cenho e disse "tem uma coisa no seu rosto", eu voltei pra realidade e perguntei onde. Ela me pediu para fechar os olhos que ela ia tirar e eu obedeci sem nem pensar muito. Dois segundos depois eu senti os lábios dela tocarem os meus.

    Sim, eu caí em um dos truques mais velhos do livro. E eu gostei.

Tags

comentários (0)

Sem comentários