Hoje o dia amanheceu digno de cena inicial de alguma filme: frio, chuvoso e com a rua completamente silenciosa. Acordei antes do despertador, então tive tempo antes de entrar no modo automático e me vestir pra ir pra faculdade.

Encostei no beiral da janela do meu quarto de frente pra rua, acendi um cigarro e fiquei admirando o escasso movimento na rua de uma quarta-feira as 6:30. Vendo os pais levando seus filhos pra escola, as pessoas indo para seus trabalhos se protegendo do vento e da chuva. Quase que por reflexo o pensamento de que se continuasse a chover eu não iria pra aula e voltaria pro abrigo das minhas cobertas passa pela minha cabeça.

Começo a pensar em outra coisa para evitar ser seduzido por essa ideia e começo a viajar nos meus pensamentos. Me vem a cabeça o rosto de pessoas das quais eu era inseparável e hoje em dia nem lembro a voz, como eu vou fazer para conciliar mais um período desgastante da faculdade com a minha vida, quais os projetos paralelos que eu vou levar esse semestre, na competição desse fim de semana para a qual eu venho me preparando desde março, como eu tenho certeza de que vou ficar resfriado se for pra aula na chuva...

O despertador toca, hora de voltar pra Terra. Apago o cigarro, me visto e vou pra cozinha ver os outros zumbis que moram comigo e tem aula as 7 da manhã cumprindo o ritual diário de tomar café enquanto esfregam os olhos de sono. Conversamos um pouco e saio de casa, feliz pela chuva ter parado. Faço um esforço sobre-humano para prestar o máximo de atenção possível enquanto o professor fala sobre atividade enzimática quando acabo voltando para o meu mundinho. Lembro que ainda não dei bom dia para a minha namorada e pego o celular para enviar uma mensagem e perguntar como ela havia dormido. Daí pra começar a lembrar de alguma cena engraçada que passamos juntos foi um estalo. Quando me dou conta estou com um sorriso de orelha a orelha na aula e faço o máximo para manter a compostura. A aula acaba e volto para casa.

Omitindo algumas partes menos interessantes do meu dia, voltando para casa quase de noite ligo para a minha mãe, conversamos um pouco, me despeço com um boa noite e sento na frente do meu computador. Resolvo algumas pendências da faculdade e começa a ruminar mentalmente sobre como foi o dia. Fico ouvindo o barulho da chuva renitente que voltou a cair e começo novamente a vagar pelas minhas lembranças. Penso nas sensações que a chuva me trazia quando eu era mais novo, de como era ficar deitado debaixo da coberta na sala vendo TV tomando o chá com limão que minha mãe fazia, de como eu me divertia jogando bola na chuva para depois tomar um sermão de como ficaria resfriado quando chegasse em casa, como eu ficava frustrado quando chovia nas férias e eu tinha de ficar em casa e de como era bom pegar algum livro e sentar no beiral da janela da minha casa para ler enquanto o barulho da chuva me acalmava. Penso no contraste do que sinto hoje e quase aprecio a ironia de como hoje em dia eu torço para chover e ter uma desculpa para faltar as aulas.

Peço desculpas se esse texto ficou muito longo ou cansativo, qualquer coisa, culpem a chuva e o frio da serra por me deixarem nostálgico.

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