Foi numa sexta-feira como essa. Na verdade não. Na verdade, foi numa segunda-feira. 

    Ali soube que nada mais na minha vida seria o mesmo. Larguei mão de compromisso qualquer que tinha na faculdade e fui te ver, insegura porque estava com cara de quem ficou o dia todo vendo aula, com medo de você achar que eu estava feia com aquela calça larga. Só que eu esquecia que pensávamos igual 99% do tempo, e que você nunca ligou muito pra isso - inclusive você veio ao meu encontro ainda vestindo roupa do trabalho, com aquela cara de quem ficou o dia todo olhando uma tela de computador. 

    Foi, com certeza, um dos dias em que mais ri na vida. Você quase bateu o carro de tanto que a gente ria e você não conseguia enxergar a rua enquanto gargalhava. Eu já não enxergava nada havia horas, só tinha olhos pra você, bem besta assim.

    Enfim, foi isso. O dia que percebi que não seria nem um pouco difícil admitir que te queria ao meu lado, gargalhando ou falando sério, pro resto da vida. Foi numa segunda-feira, mas foi numa sexta-feira como essa que percebi que esse era um plano muito distante.

    Foi uma semana estranha, mesmo a gente se esforçando pra não ser. Na sexta-feira me disse que queria me ver no sábado, mas não era a mesma coisa. Eu já sabia o que estava por vir. No sábado me disse que não seria a única lá. Me lembro até hoje. Se for pensar bem, foi num sábado como amanhã. Acho que não importa mais.

    Nessa montanha-russa, nesses 365  dias, tanta coisa aconteceu, mas nada mudou o fato de você ser aquela pessoa com quem queria compartilhar meu todo-dia. Eu realmente queria poder te ver hoje, nessa sexta-feira que, daqui um tempo, vou lembrar como mais um dia ordinário sem graça -nem gargalhada- alguma.

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