Certa vez li num quadrinho do Sandman sobre como os sonhos, mesmo não sendo matéria, são tão reais quanto o que vivemos aqui e agora. E eu sei que isso é a melhor forma de se enxergar o mundo que a gente entra depois do sono REM. Gosto de pensar nele como um universo paralelo.

    Sei que, numa realidade alternativa, o sonho que sonhei pra gente está acontecendo. Lá, eu sei, que eu durmo e acordo ao seu lado, vivendo na simplicidade que tanto prezamos, cercados por natureza, paz e harmonia. A gente está crescendo, aprendendo e vivendo juntos. E nesse aldeia, a gente planeja nossa vida 1 dia de cada vez, mas sem deixar de pensar em como serão nossos filhos (vai ter meu cabelo? vai ter sua calma?) e como iremos criá-los na mais complexa condição humana. A gente ri de todas as besteiras de sempre, e reflete sobre nossa existência e plenitude. Não existe espaço para tristeza em nosso lar. 

    Pensando nisso tudo, se eu acordo de madrugada aos prantos, depois de visitar esse universo, não me leve a mal. É que está sendo muito difícil sair dele. Já não sei se consigo chamar de saudade, porque não sei se já senti algo tão forte assim. É uma ausência ecoando, e vejo sua imagem impressa em todas as esquinas que já te vi me esperando.  Penso em todas as coisas que queria te falar mas agora não posso. Penso no seu sorriso e sorrio junto, me concentro pra reviver aquele último abraço que pude te dar no momento da despedida.

    Meu único conforto é a certeza do reencontro. Talvez não amanhã, nem nessa vida, mas ao menos, dormindo, eu te reencontro onde nossa vida corre lado a lado. 

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