(Escrito em abril/2014, mas caiu como uma luva para o momento atual)

Nessa árdua batalha que travei contra mim mesma, revejo um cenário épico mitológico se desenrolando em minha mente. Titãs e deuses se confrontando dia após dia, com armas primitivas e armaduras de ferro, urrando e suando para então dar-se fim definitivo à guerra. Todos almejam a vitória, e eu, só queria meu sossego.

Dessa vez a disputa é acirrada. Chronos versus Kairós, dentro de mim.

Chronos é o tempo material. É a sequencia mensurável do tempo que passa: passou uma hora, um mês, alguns anos. Chronos é o deus que faz o ponteiro do relógio girar sem pausas, fazendo o presente -tão breve!- torna-se passado antes de piscarmos os olhos mais uma vez. Esse é o deus que faz a gente correr pra pegar o ônibus, que faz o comércio se acelerar pra bater metas, que faz meu coração achar que ele já deveria ter se recuperado de vez. “Já faz tempo…”, penso eu. Faz tempo, Chronos, que você me alerta que a vida está rodando no calendário.

O problema é a força do Kairós, sr. Chronos. Kairós é o tempo de Deus, o tempo que se sente, o tempo que só a gente sabe quanto tempo que passou. Nada de relógios ou calendários: é aquele tempo que, pra mim, não está passando. É o responsável por acharmos que o dia não dura mais 24 horas, mas sim 15; que o Carnaval é tão seguido do Natal e nem dá tempo de pagar as contas do mês de Dezembro.

Estagnei-me na vontade de Kairós, pois todo amanhecer, Chronos me pede para eu sair da cama mas Kairós continua a me lembrar do sonho que tive horas antes, enquanto eu dormia. Chronos me avisa de que a semana de provas está chegando, mas Kairós me faz pensar que tudo o que eu mais queria era aquele mês passado de volta. Parece que faz tanto tempo!, mas olhei pras folhas datadas da minha agenda e tudo indica que poucos dias se passaram desde então.

Essa luta é constante, cansativa, desgastante. Não quero a vitória de Chronos, mas não quero ser mais um triunfo de Kairós. Eu só queria meu sossego.

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