Lembrei daquela tarde em que chovia tanto que nós não conseguíamos ver o final da rua. Eu estava com tanto medo de o dia passar rápido, que mal me atentei em como a gente andou muito mais devagar do que costumávamos. Estava tão frio que as gotas de chuva eram pequenos cristais de gelo contra minhas bochechas constantemente rubras de vergonha. Mas tudo bem, era ali mesmo, naquela cafeteria, que eu tinha o cenário perfeito.

Um litro de café teve um efeito quase alucinógeno, divertido o bastantw para nos fazer rir ate dar sono. A gente brincou dizendo que aquele momento era uma falha na matriz ou algo assim. Num universo paralelo, a gente ainda estaria lá depois de horas, sem que o relógio tivesse se movido.

Era assim toda vez. Era essa a sensação. A vontade de quebrar todos os ponteiros e arranjar uma desculpa pro deus Chronos dar uma seguradas naquele instante por instantes a mais.

Eu só não queria que o dia acabasse rápido. 

Queria acordar, como se tivesse cochilado naquela cafeteria, e olhar pro lado e ver você ainda rindo depois da overdose de café.

Eu só não aguento mais viver lembrando. 

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