Acordei de camiseta. Só de camiseta em pleno domingo. E essa é uma das coisas que mais gosto de fazer na minha vida. Me dei conta que esse final de semana tinha sido frenético — e que ao mesmo tempo, isso não era ruim. Eu precisava de uma xícara de café pra juntar as peças do quebra cabeça desde sexta-feira. Levantei. Era meio dia. Me olhei no espelho, toda despenteada — faz parte do jogo Bianca, aceita. Particularmente odeio quando meu cabelo não está solto e a franjinha na testa.

Decidi fazer um chá, afinal, de cafeína já basta eu. Camomila. Sentei no sofá. Refletindo, sexta-feira tinha sido um dos melhores dias da vida. Sábado também. Não porque a noite acabou na balada, mas sim porque me dei conta de que aquele pensamento “no trabalho você será estritamente profissional” havia mudado. Sim, ser estritamente profissional não significa que fora do seu horário de trabalho não possa conviver com as pessoas que trabalham com você no âmbito pessoal. E me dei conta de que fiz amigos que serão pra sempre. É uma relação mútua — eu sei que posso contar com eles.

As noites terminaram sim na balada — e foram incríveis. Me senti tão leve quanto nas outras vezes em que saímos. Mas foi diferente, porque eu mudei. O riso fica fácil quando você consegue deixar o que te preocupa em casa. Aquela dançando no meio da pista era mesmo eu, comigo mesma. Presente de corpo e alma naquele momento. É muito muiiiito bom quando você consegue se perceber.

Cheguei em casa de madrugada no sábado, esgotada, literalmente parecia que eu tinha corrido uma maratona. Me questionei se a idade estava chegando...

Deixando a água escorrer entre os dedos do pé, desembaraçava os nós do cabelo no pós balada. Eu nunca me senti tão viva antes. Cada maluquice que já aprontei nessa vida. Passou um filme sim. E quer saber? Eu faria tudo outra vez. E talvez até mais. Com o tempo a gente aprende a ter menos vergonha, aproveitar a intensidade de cada momento um pouco mais… afinal, vamos descobrindo que tudo passa muito rápido.

A gente se dá conta que cresceu, amadureceu, viveu momentos que não tem como explicar, conheceu pessoas que vão ser pra outras vidas, guardou histórias que só de lembrar te fazem rir. Aprendeu que é possível reconstruir um momento só de ouvir uma música. Ainda arrepia. Ainda faz sorrir.

Viver é realmente incrível. Faltam 15 dias pros 24 anos. E eu quero que seja intenso, maluco, ligado no 220 — assim como eu. E também quero poder olhar pra esse texto daqui há alguns anos e sentir os mesmos sentimentos que me rodeiam quando releio o blog do intercâmbio. Faz ser real.

Abri a janela do quarto. Contemplo as estrelas indignada por não poder conhecer o nosso universo inteiro. Ao mesmo tempo, me sinto presenteada por poder refletir sobre o brilho de cada uma delas. O céu é mesmo espetacular. Que um dia eu aprenda ainda a navegar só pelas estrelas.

Pode vir 24, there is nothing holding me back.

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