De todas as coisas que eu tenho pra escrever, eu fui começar bem por você, quem imaginaria? É irônico porque eu desejei que você fosse embora, e continuo desejando mesmo depois de você ter ido.

Não quero me estender, você não vai ser a minha obra-prima. Não é por falta de inspiração ou de assunto, mas é que eu preciso soltar as correntes para poder voar. Não vou me desdobrar em flores pra fazer soar romântico o que você destruiu em mim. Então eu proseei a poesia, eu não procurei palavras no dicionário. Não se engane com o meu tom, eu sou ainda tão otimista, sabe? (Não, você não sabe. Você não sabe nada sobre mim).

Mas é que o problema não sou eu, é você. Afinal, o que não tem sido você? Quando eu travo, quando eu ando na rua procurando onde me esconder caso precise, quando eu abro mão do meu corpo pelo prazer alheio, quando eu olho no espelho e percebo que não gosto de quem me olha de volta, quando eu me calo, quando eu finjo. Ainda é você. Quando eu tenho raiva de mim por ter raiva de você. É você. Quando eu conto meus defeitos, e pra que? A perfeição nunca foi exigência minha, foi sua.

Eu aceitei começar por você, porque eu ainda preciso terminar com você todos os dias. Eu preciso terminar com você todas as vezes que eu conheço alguém, todas as vezes que um cara me toca.

Eu ainda preciso tirar você de cima de mim, onde você sempre preferiu ficar, tirando as raras exceções em você quis mudar um pouco as coisas.Eu preciso que você saia de mim e eu preciso que você saia da minha cama.

Não é em cima delas que os monstros devem ficar.

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