Escorreu o corpo mais para baixo e deixou a água cobrir o seu rosto por completo. Por um momento ficou de olhos fechados, ouvindo o silêncio da água nos seus ouvidos, e sua mente pareceu se misturar ao fluido, tranquila, limpa, profunda. A água era pesada, e então ela se sentia leve. De repente estava no seu mundo, em um lugar completamente diferente da cidade doentia. Abriu os olhos e viu a materialização dos seus pensamentos: a realidade, distorcida, borrada; mas dentro da água, o brilho cego da luz refletindo, lindo. Amava esse ritual intenso de transição de mundos. Não sentia a falta do ar, não precisava dele. O ar seco doía a cada inspiração. Não, ela precisava da água entrando em seus pulmões, percorrendo as veias no lugar do sangue, encharcando e sustentando seu corpo. Este era o momento que saía da fragilidade que é a vida, e sentia a eternidade ao seu redor, e precisava dela. Não a que está após a morte, não queria a morte.

Queria ser sereia.

07/08/2015

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