Ela me tocou com seus lábios frios, estalando um beijo salgado. Cheirava aos cigarros que eu sabia que ela detestava. Eu entendo que precisamos de coisas que não gostamos, e ela precisava deles. Ela subiu na cama e eu achei que não caberiamos, mas a cama começou a crescer e crescer, só pro conforto dela. Seus longos braços, brancos e arrepiados, se enroscaram na minha cintura e peito e ela cantou pra mim a música mais lenta que conhecia. Sua voz macia, apesar de tão baixa, entrou nos meus ouvidos e dançou pelo caminho até o meu cérebro. Nem sempre eu a entendo e nem sempre eu gosto dela, mas do mesmo jeito que ela precisava dos seus cigarros nojentos eu precisava dela pra me ninar e saber que ainda estou viva.

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