E bate meia noite. E nada mudou. Mas tudo mudou…

Foi um ano difícil, conturbado, mas como a esperança é a última que morre resolvi, nas últimas semanas, dedicar um pouco de minha energia para tentar enxergar o lado positivo das coisas e comecei a perceber como a vida é muito mais justa do que aparenta ser.

Trinta e um de dezembro. Acordo cedo com um único objetivo: entrar em paz comigo mesma. Resolvo então transbordar os sentimentos bons que andavam faltando demonstrar à minha família. Abraços de bom dia, café da manhã em conjunto, brinco com meus primos, converso com meus tios, agradeço meus pais (por absolutamente tudo!) e olho admirada para meus avós me perguntando como pude demorar tanto para enxergar tamanha força e amor que foram colocados em mim vida. E o dia vai indo, as horas vão passando e aquela menina dentro de mim - aquela que questiona e revisa tudo a toda hora - começa a despertar e rever os acontecimentos do ano que passou. E chega próximo ao fim do ano e ela olha para o céu, se questionando como pode ser tão bonito, mas pára e repara o quanto é escuro, o quanto é sombrio, o quanto é ameaçador.

Enquanto a menina lança seu olhar questionador para mim, pergunta:

- Você não tem medo disso?

- Não

- Nem do futuro?

- Não

- Nem da sua vida?

- Nem um pouco

- Mas você não está mais diariamente com seus amigos da faculdade

- Não, não estou. Mas estou feliz porque me formei e eles também.

- Mas você não está feliz no seu trabalho, nem na sua pós…

- Quem disse? Sou muito grata por essas duas oportunidades que me foram concedidas.

Ela, meio irritada, me cutuca - Até quando será que você aguenta esse sorrisinho no seu rosto?

Dessa vez não respondo, apenas sorrio.

Ela não se aguenta e me chacoalha, quase gritando - Seu namoro acabou, você não pode ter superado isso, não tão rápido, não por completo!

E dessa vez eu abro a boca, mas as palavras não saem, meu pensamento trava e olho com tristeza para mim mesma. Sério? Você estava indo tão bem! Não se deixe abalar por isso, muito menos agora mulher!

Abaixo a cabeça e uma lágrima escorre. Não sei se de tristeza ou de felicidade Felicidade? Alívio? Saudade?

Penso em tudo que perdi...

Como isso me faz mal!

Penso em tudo que que perdi...

Como isso me faz bem!

Penso em como tudo mudou....

Como isso me derrota!

Penso em como tudo mudou…

Como isso me renasce!

Vamos lá mulher, se recomponha.

E como uma fênix renasço das cinzas, levanto a cabeça e sorrio. Sorrio porque consegui encontrar o lado bom, consegui ver o que de mim foi libertado ao mundo novamente. Perdi um amor (será que perdi mesmo?), mas retomei lindas amizades. Aquelas amizades que me ajudaram a me reerguer e sei que não vão me deixar cair novamente. Aquelas amizades que me impulsionam a acreditar nas coisas boas da vida. Aquelas que me fazem crescer...

E chega próximo ao fim do ano e eu olho para o céu me questionando como pode ser tão ameaçador, mas paro e reparo o quanto é bonito, iluminado e único - quase chegando ao irreal...

E bate meia noite. E nada mudou. Mas tudo mudou…


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