E numa estação qualquer, tudo terminou. Uma linha momentaneamente parada, um aviso de "usuário na via" e mais uma vida que se findou. Objetivos que nunca serão completados, sonhos que não serão realizados. Pessoas, sentimentos, memórias deixados pra trás. Tudo em busca de acabar com uma dor que nenhum de nós é capaz de compreender. Mais uma luta interna perdida.

Eu tenho pensado muito nesse assunto ultimamente, ainda mais com essa campanha de setembro amarelo e com o caso de suicídio recente de um rapaz da faculdade. Tantas pessoas que acabam por tirar a própria vida por não terem mais forças para continuar. Tão assintomático, ao mesmo tempo em que você acaba por perceber pequenos detalhes que mostram que a pessoa já considerava isso há tempos, mas só vê depois que aconteceu. E eu morro de medo de um dia acordar e ser um amigo meu, uma pessoa que vai levar uma parte de mim consigo e vai fazer eu me perguntar o que eu deixei passar? O que eu poderia ter feito a mais? O que eu não percebi? É um grande sentimento de impotência que tem tirado meu sono nos últimos tempos. E cada vez mais percebo que muitas vezes não posso fazer nada.

A morte num geral tem me incomodado. Eu nunca perdi nenhuma pessoa próxima, embora já tenha passado por vários momentos em que pensei que isso iria ocorrer. E é o destino de todos, não importa o meio. Isso às vezes faz eu repensar em como tenho demonstrado o que sinto a quem amo, desde parentes a amigos e me sinto falha nisso. Você nunca sabe se vai ter o amanhã pra desculpar ou pedir desculpas, pra dizer aquele "eu te amo" guardado no fundo do peito que às vezes entala a garganta querendo sair. Diga enquanto pode. Você nunca sabe até quando terá pra dizer, ou a outra pessoa terá pra ouvir.

Tags

comentários (0)

Sem comentários