É do aconchego tenro da última poltrona do nosso ônibus, que encosto a cabeça na janela de vidro e vejo as pessoas  caminhando no sentido contrário ao meu. Todas elas bem vestidas por conta dos 14º  C que hoje nos deu bom dia. E é assim que a lembrança do seu casaco verde agua me estapeia a mente e todos os meus sentidos. A sinestesia das lembranças que você me provoca queimam o fundo do peito, assim como o cigarro queimando do belo rapaz parado no ponto de ônibus com os olhos longe e chorosos. Chuto que perdeu um amor na semana passada.

O frio me lembra você. O frio me faz querer esquecer todos os problemas que, por amor, nos fizeram deixar um ao outro. Me faz querer gritar seu nome. Me faz te querer como nunca quis alguém. Teu cheiro aparece e fecho o olho na tentativa falha de transformá-lo numa projeção sua capaz de tocar minha pele, só pra, pela última vez, sentir seus dedos acariciando meu cabelo que macio diante do seu olho bonito.



O casaco verde água reaparece.


Tags

comentários (0)

Sem comentários