Quando comecei, comecei ciente de que levaria muito tempo para me convencer de alguma coisa. Eu tinha medo, amarras que me prendiam ao passado. O temor da repetição. Isso tudo me fazia covarde. Lentamente fui jogando isso ao esquecimento. Guardando tudo no baú do passado. Como quem reaprende a andar, acreditei na possibilidade de mergulhar. E mergulhei. Na imensidão do ser. Não levou muito tempo e, quando me dei conta, eu já estava no meio sem saber ao menos que tinha começado. 

Foi num dia assim. Chovia lá fora e o céu parecia trazer o anúncio de mais chuva para a tarde. Eu, ouvindo música, parei e percebi o quanto me era oportuno pensar naquilo e me sentir feliz. O coração chegava aquecer todos os outros membros do meu corpo. Cada vez mais, queria falar as coisas que me passavam pela cabeça, pela alma. Porque não era simplesmente conexão do intelecto. Era conexão da alma. Eu sentia isso em cada mínima parte do meu corpo. Queria estar. Queria abraçar. Queria passar mais tempo observando. 

Para a minha sorte, era mútuo.

E fui me envolvendo, me entrelaçando ao que me fazia me sentir iluminada, grata. E não há, acredito eu, sentimento mais puro do que o sentimento de querer agradecer por algo. Trata-se do reconhecimento máximo de o que algo lhe faz bem. Eu queria agradecer a todo momento. Aos céus. Às energias. À dança inconsequente dos planetas. Dança essa que mudou o curso de tudo para que nos encontrássemos. O incerto do universo que trazia euforia e ânsia. As mãos suavam.

Cada vez que sabia que iria encontrá-lo, sentia tudo como se fosse a primeira vez. A eterna ciência de que estava prestes a encontrar um símbolo de paz e tranquilidade. Algo que envolvia plenitude em seu mais alto grau de sanidade. 

Tomei consciência de que floresciam as coisas. As pessoas. Os problemas pareciam ser só problemas. A tudo me trouxe a sabedoria de que tudo tinha solução. 

E tem tido. Florescido e crescido junto a mim. Mutuamente correspondentes. Com força maior a cada dia. Com vontade de agradecer cada dia mais. Agradecer aos céus pela chuva que manda no dia de hoje, ainda que traga trânsito. Agradecer aos momentos em que toma liberdade de me ensinar algo ou em que aceita aprender junto comigo. Agradecer a enlouquecida e inconsequente dança dos planetas que nos trouxe até aqui. E que vai além.



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